Visão Elétronsbot cria app de sons binaurais para tratar insônia e leva projeto à nacional de robótica do Sesi

Visão Elétronsbot cria app de sons binaurais para tratar insônia e leva projeto à nacional de robótica do Sesi

Prestes a participar da etapa nacional do Torneio Sesi de Robótica First Lego League entre os dias 15 e 17 deste mês, o Visão Elétronsbot dá os últimos retoques no projeto de pesquisa que garantiu sua classificação: o aplicativo “Sleeping Beats”.

Seguindo o tema da temporada atual do torneio – “Into Orbit” (“Em Órbita”, em tradução livre) – a plataforma foi pensada após pesquisas do grupo sobre a qualidade do sono dos astronautas, geralmente aquém do ideal quando em missões espaciais. O resultado foi o desenvolvimento de um app de reprodução de ondas binaurais para relaxamento ou estímulo, com comando via bluetooth para dispositivos de ajuste de iluminação ambiente e um fone ortopédico.

“A gente queria algo que tivesse uma relação com as pessoas aqui na Terra também. Muitas das tecnologias que são empregadas hoje aqui, primeiro foram testadas no espaço”, argumenta o professor e técnico de robótica do Visão Elétronsbot, Carlos Paiva, relembrando o direcionamento definido para o processo de pesquisa.

Formado por alunos do 7º ano do Ensino Fundamental ao 1º ano do Ensino Médio, o Visão Elétronsbot está entre as seis equipes pernambucanas classificadas para a fase nacional da competição, que será realizada no Pier Mauá, zona portuária do Rio de Janeiro, reunindo ao todo 84 equipes. Eles apresentarão o “Sleeping Beats” na categoria “Projeto de Pesquisa”.

Pesquisa e desenvolvimento do projeto

Em um brainstorming sobre os problemas enfrentados pelos astronautas no espaço, o grupo chegou à questão do sono. Coletando e estudando diversos artigos científicos (a maioria estrangeiros), encontraram a informação de que os astronautas geralmente não conseguem dormir o padrão ideal de 8h30min, mas, no máximo, 5h.

Para consolidar essa primeira fase de pesquisa, o Visão Elétronsbot fez excursão ao Centro de Lançamento Barreira do Inferno, em Natal (RN), onde obtiveram consultoria de engenheiros e coletaram mais material de pesquisa.

Ao retornarem da viagem, começaram a segunda fase de estudos, voltada aos distúrbios do sono. Entendendo o conceito de “ciclo circadiano” (ajuste do relógio biológico influenciado pela luz que os olhos captam e emitem para o cérebro) e afunilando a pesquisa sobre os tratamentos da insônia, o grupo de robótica chegou às ondas binaurais.

“Foi aí que percebemos que poderíamos combinar as ondas binaurais e o ajuste da luz ambiente num mesmo projeto. Uma das frequências binaurais estimula a produção de melatonina (o hormônio do sono) no cérebro, assim como o ajuste da luz ambiente para tons avermelhados ou amarelados”, explica Arthur Carvalho, aluno do 1º ano do Ensino Médio, líder e gestor de comunicação, mídia e pesquisa do Visão Elétronsbot.

Sleeping Beat: app e fone de ouvido

O aplicativo, que levou cerca de dois meses para ser desenvolvido e aperfeiçoado, tem duas funções principais: a de reprodução de opções de ondas binaurais para relaxamento e estímulo, e a de ajuste da coloração da luz ambiente via bluetooth através de um dispositivo controlador das lâmpadas de determinado recinto.

Para tornar a indução ao sono ainda mais efetiva, a equipe também desenvolveu um fone de ouvido anatômico e sem fio, de modo a não atrapalhar os movimentos do astronauta em seu leito. O protótipo foi apresentado a especialistas do programa “DurmaBem” do hospital especializado Interne Soluções em Saúde, localizado no bairro da Boa Vista, região central do Recife. “A conversa com a equipe refinou o nosso processo de pesquisa e produção do aparelho, e nos rendeu um convite para participarmos de um workshop da instituição sobre distúrbios do sono”, conta o professor Carlos.

A estreia do “Sleeping Beats” ocorreu na etapa regional do Torneio Sesi de Robótica First Lego League, realizado em dezembro do ano passado, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e com a pontuação alcançada nas categorias “Desafio de Robô” e “Core Values” (avaliação do trabalho em equipe), o Visão Elétronsbot alcançou o 2º lugar. Agora, na fase nacional, esperam conquistar, pela terceira vez, vaga para a etapa internacional da competição.

Em 2018, o Visão Elétronsbot chegou ao World Festival, a “Copa do Mundo da Robótica”, em Houston, Texas (EUA) e de lá trouxe um ótimo resultado como estreante. A equipe pernambucana alcançou o 21º lugar geral entre 108 equipes de 53 países.

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