“Fake news” é tema de palestra ministrada pela jornalista Liliane Nascimento ao 3º ano do EM

“Fake news” é tema de palestra ministrada pela jornalista Liliane Nascimento ao 3º ano do EM

Nos últimos tempos, a discussão acerca das chamadas “fake news” tem ganhado cada vez mais espaço na sociedade, trazendo à tona diversas questões sobre a disseminação de conteúdos de qualidade duvidosa nas redes sociais e pela mídia. Em palestra ministrada nessa quarta-feira (25) pela jornalista e doutoranda em Comunicação, Liliane Nascimento, a pergunta direcionada aos nossos alunos do 3º ano do Ensino Médio foi “quem acredita nas ‘fake news?'”. O encontro também contou com a participação dos professores André Carlos e Salviano Feitoza.

A jornalista iniciou a palestra fazendo uma interessante dinâmica: ela exibiu aos alunos algumas manchetes de postagens online acompanhadas das respectivas imagens de destaque para que os jovens tentassem detectar quais eram notícias verdadeiras ou conteúdo falso. A experiência foi a base para que Liliane demonstrasse o potencial de engano que as “fake news” podem causar por se assemelharem, na forma, a conteúdos jornalísticos.

Liliane pontuou, em seguida, as diferenças entre dois tipos de “fake news” – a primeira, a publicação feita com intenções manipulativas, e a segunda, proveniente de instituições de mídia que tem por prerrogativa informar de acordo com os compromissos básicos do jornalismo. Tendo em vista o primeiro tipo, a jornalista destacou o quão irreversíveis podem ser os danos causados pelo compartilhamento de inverdades nas redes sociais, justo pelo alto potencial de disseminação dessa plataforma.

No que se refere ao conteúdo proveniente de instituições jornalísticas, Liliane destacou como a falta de aprofundamento e investigação pode comprometer o senso crítico e prejudicar o julgamento de determinado assunto pela opinião pública.

“Fake news” e a geração de “nativos digitais”

Perguntada sobre como a geração atual tem reagido às “fake news”, Liliane pontuou que “todos estão suscetíveis a crer em informações falsas”, mas destacou o excesso de informação atual como fator de influência na relação dos jovens com o conteúdo compartilhado nas redes sociais. “Essa geração está cercada de uma quantidade muito grande de informações, situação que reduz nossa capacidade de checagem e o tempo reservado à leitura”, disse a jornalista, exemplificando como evidência desse último fator serem cada vez mais comum leituras que se resumem apenas ao título de uma matéria.

“Quando alguém lê apenas a manchete e acha que tem conhecimento sobre toda a situação que ela introduz, é problemático. É disso que se aproveita quem publica ‘fake news’; uma manchete pode ser guiada por interesses”, explica Liliane que teme pela qualidade do senso crítico no futuro com gerações que se tornem “cada vez mais acostumadas a lerem só manchetes”.

Liliane destacou ainda que a responsabilidade no consumo e transmissão de informações precisa ser entendida como um ato de cidadania, sendo cumpridos os direitos e praticados os deveres de cada um nesse sentido. “Diante do primeiro tipo de fake news – aquela informação que foi feita com intenção de manipular – a ação cidadã é investigar se aquilo é verdadeiro e zelar para que, assim, a informação falsa não seja disseminada. Por mais que eu não tenha gerado aquele informação eu também sou responsável pela cadeia de desinformação que se cria”, detalha a jornalista.

“Já diante da informação falsa que vem de quem teoricamente deveria me informar adequadamente, temos o dever de cobrar responsabilidade no compromisso de informar. E não só de empresas jornalísticas, mas de qualquer instituição”, conclui.

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