“Bullying, Cyberbullying e Escola: a família e a atenção ao sofrimento de crianças e adolescentes” é tema do 3º PapoPsi

“Bullying, Cyberbullying e Escola: a família e a atenção ao sofrimento de crianças e adolescentes” é tema do 3º PapoPsi

Na noite da última quarta-feira (7), pais e alunos passaram por um momento de reflexão sobre os problemas do bullying e do cyberbullying. A palestra foi apresentada pelo pedagogo e Doutor em Educação Hugo Monteiro, que trouxe relatos e dados impactantes sobre a realidade do bullying nas escolas do Brasil e do mundo. O evento foi organizado pelo Serviço de Psicologia Educacional do Colégio Visão.

Estima-se que 17,5% dos estudantes brasileiros na faixa dos 15 anos é alvo de bullying pelo menos uma vez no mês. Os dados são do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes e integram a pesquisa de Hugo Monteiro sobre o fenômeno do bullying no país. Durante 10 anos, o pedagogo visitou escolas no Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais para entender quais as principais causas da alteração de comportamento entre os jovens da que ele chamou de “Geração do Quarto”, pessoas que, com medo ou vergonha, escondem o sofrimento na solidão do quarto onde dormem e, na tentativa de aliviar a dor, chegam a se automutilar e, em casos extremos, a tirar a própria vida.

Dos sinais que uma vítima de bullying apresenta, é necessário estar atento às mudanças no comportamento, no corpo e no visual. É na aparência que reside boa parte da insegurança do jovem, que ainda está desenvolvendo o corpo e a identidade, e é no corpo diferente que surge a centelha para uma piada de mau gosto que pode repercutir na autoestima da criança. “O bullying é fruto da intolerância, de não se reconhecer o outro e querer que ele seja igual a você”, destaca Hugo.

A vida conectada atualizou a violência para um novo formato: o cyberbullying. Quando acontece na escola, o sofrimento é interrompido quando o jovem chega em casa e nos finais de semana, mas na internet o cyberbullying não tem intervalos. O tormento é praticado a qualquer hora, em tempo real e para uma audiência muito maior que a da sala de aula. O palestrante chamou atenção para casos em que crianças e adolescentes foram expostas nas redes sociais, através de vídeos ou fotos íntimas feitas com ou sem o consentimento da vítima. Tais situações podem gerar um transtorno de tamanho inimaginável e danos à insegurança e à autoestima da vítima, dada à proporção do alcance que o conteúdo tem na internet.

A principal forma de combater o bullying é a conversa. Hugo destacou que, em muitos casos, o sofrimento do jovem tem raízes em casa, com famílias sem afeto e pais ausentes da formação dos filhos. Essas crianças acabam se tornando adolescentes mais vulneráveis e passivos, o que estimula o comportamento daqueles que procuram alguém atormentar. “A primeira providência é cuidar da criança, cuidar do adolescente, protege-los e ouvi-los. Perceber como é o movimento das relações sociais que eles mantem e não sair condenando amigos e amigas, porque isso não funciona, esse não é o caminho. O caminho é parar e observar como é que o filho e a filha estão procedendo. E a escola precisa ajudar nesse processo, a escola precisa tomar posição, ela não pode ficar esquiva e promover programas sistemáticos, contínuos e para sempre, porque o que você tem que combater no bullying é o preconceito”, pontuou o palestrante.

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